quinta-feira, 31 de março de 2011

NOSTALGIA


A tarde se estende no horizonte
Cinzenta... vazia...

Disformes... lânguidas...
Caem as folhas do outono

Distante da fantasia sinto a amargura do passar de mais um dia
Outrora imersos em lágrimas, meus olhos teimosamente secam

Sinto, nos ossos, o passar dos anos
Sinto a rapidez da primavera se esvaindo
E a pressa com que as olivas se escondem

Olho um pé de maçã senil e sozinho
Reparo, amedrontada, o efeito do tempo
A secar-lhe o casco... a muchar-lhe os frutos

Imóveis, ficamos a macieira e eu
Silentes, sabendo uma da secura da outra

Hesitantes, fitamo-nos
Sem saber se o que encerra em ambas
É a seiva ou a poesia

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